Hoje encontrei uma caixa antiga, quando abri encontrei outra caixa, na qual me remeteu algumas doces lembranças da minha infância. Dentro dela haviam fotos minhas com outras crianças. Comecei a vê-las por curiosidade, até me deparar com o Guilherme. Loirinho, olho claro, pequeninho, fofinho. Foi ele quem me despertou a primeira sensação de amor surreal. Eu devia ter uns 5, 6 anos. Ele era todo querido comigo, e com as outras meninas (por isso acho que ele não foi só o meu amorzinho). Enquanto todos os outros queriam jogar bola, ele brincava de casinha. Eu lembro que adorava observar ele. Podia ficar o vendo brincar por um bom tempo, apenas para tentar assimilar o que eu estava sentindo. Eram as primeiras borboletinhas que surgiam no meu estômago.
Tempo depois, já no pré, pude compreender o que era isso. O menino do doce sorriso que brincava comigo, já não me interessava mais. O amor virou amizade. O que eu vislumbrava nesse momento era o protótipo de macho alfa. E o que melhor representava isso, era o menino mais improvável da sala. Que jogava bola, e não ligava para garotas e que provavelmente não daria a mínima para isso.
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