Ao abrir a porta. Qualquer porta, você percebe um novo ambiente. Sente uma nova vibração. Ao longo da vida, você já parou para pensar em quantas portas abrimos? Em quantas para nós são abertas? Esse número é alto, até porque não moramos em cavernas, mas pensando por outro lado, há quantos mundos diferentes somos apresentados diariamente sem sequer nos darmos conta.
Ao entrar em ambientes cheios, me sinto vazia. As pessoas andam entulhadas de um lado para o outro, sem muitas vezes, nem saber o que estão fazendo. Agem como formigas frenéticas, mas sem nenhuma tarefa específica. Não olham nos olhos. Pois não há tempo a perder com olhares desencontrados. É um sistema caótico, sistema dos ambientes cheios.
Falando em olhares, tem coisa mais explícita que um olhar? Faça um teste, quando estiver andando na rua, olhe as pessoas que passarem por você, mas olhe nos olhos, tente compreender o que dois globos oculares escondem. Há pessoas que se sentem amedrontadas ao serem fitadas. Outras retribuem com tamanha ousadia. Há ainda aquelas, que disfarçadamente, tentam fazer o mesmo. E existem muitas outras reações, mas onde quero chegar, é que mesmo a pessoa não vendo de imediato que esta sendo observada, os olhos percebem. Os olhares se procuram, e muitas vezes se eternizam. Reconhecem-se. Conversam entre si, em uma linguagem que somente o Iris explica. É uma sensação gostosa, encarar olhares. É algo humano, porque ao perceber o significado de um olhar, você se torna empático, você percebe uma nova concepção.
Os olhos são as portas da alma. Contudo, através dos olhos, podemos abrir portas, outras portas. E através deles, em ambientes cheios, lotados, ou sequer povoados, nos tornar mais humanos.

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