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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pérolas

Quando eu morrer, todas as pérolas do meu colar vão rolar. Porque o fio que as une irá romper. Assim como o sangue, que corre entre as minhas veias, irá cessar. Espero que todas encontrem suas ostras. Quem vai saber que elas eram minhas? E será tão estranho imaginar, que há muito tempo atrás, o mundo todo pendia no meu pescoço, quando cada pérola se unia por intermédio do fio de prata, acentuando umas as outras a sua tonalidade única. E a perfeição imperfeita do formato de cada uma. E lá, na região mais abissal do oceano, novas pérolas se formaram. E quem sabe, se uniram novamente, pendendo assim o novo mundo no pescoço de alguém. Porque nós vamos e voltamos, como pérolas. Entre o mar e a terra. Entre o mundo de lá, e de cá.

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