Quando me bate uma dúvida, eu recorro à geladeira. Não que para resolver uma conta de álgebra eu iria abri-la também, mas pode ser uma próxima opção. Eu abro a porta, e paro em frente a ela, e fico analisando as possibilidades. Não consigo me concentrar em nenhum alimento em especial, porque não sei realmente o que procuro. O que me faz pensar que a geladeira pode ser uma porta pra outro mundo? O que seria o freezer então?
Passam alguns segundos, percebo que ela não irá me dizer resposta alguma. Fecho a porta e permaneço ali. A vontade de não sei o que continua martelando. Está frio. A geladeira não me deu resposta alguma. Obviamente, pois qualquer imbecil sabe que geladeiras não falam.
Eu poderia recorrer ao fogão, acender uma boca e ficar observando a chama até ter alguma idéia, mas provavelmente poderia cessar o gás, e eu permanecer com vontade de não sei o que.
Vou até o jardim em busca de um lugar ao sol. É bom manter-se aquecida em uma tarde de inverno sentido a brisa refletir em minhas pupilas. Vou fechando os olhos gradativamente, se me permitir entro em sono profundo.
O vento sopra baixinho. Bate em meu ouvido e desperta de meu breve cochilo. Posso sentir um cheiro agradável. Que me lembra amoras. Quem me conhece sabe, eu adoro amoras. São bem coradas, gorduchinhas, e de um sabor inigualável. Mas eu não teria como consegui-las nesse momento, então preciso pensar em alguma coisa estupidamente sugadora, que leve embora este delicioso desejo.
Lembro-me então, que ir a uma festa, fantasiada de azeitona recheada, é algo estúpido. A probabilidade de olhares sugadores vislumbrarem você também é alta. Esqueço das amoras. Ok, simplesmente, adio.
Tenho coisas a fazer. Trabalhos a terminar. Subo e retorno ao que estava fazendo antes da vontade de não sei o que bater. O frio, já não sinto mais. O sol me aquecera. Minha vontade de não sei o que foi passear com o vento. Entro na cozinha, encaro a geladeira, e não sinto nada de estranho ao passar por ela. Quem sabe superei esse vício estúpido de acreditar que ela é um oráculo. Talvez até amanhã.
Faço um café. Não adiciono açúcar. Gosto do gosto amargo, forte. Por algum instinto, antes de deixar a cozinha abro a geladeira. Agora consigo analisá-la friamente. Toca o telefone. Antes que ele interrompa essa sintonia, avistei um potinho, ao abri-lo, encontro amoras. Sem hesitar, pego um punhadinho, a caneca de café, e sigo para atender ao telefone.
Não esqueça que ideia não possui mais acento o/
ResponderExcluircomentario sem noção!!!!!!!!!!!
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